A lanterna não baixou.
O loiro ficou parado no vão da porta, uniforme de segurança sujo de poeira, aliança no dedo, barriga empurrando o cinto. Alto, forte, peito largo, aquele corpo de coroa que trabalha a noite inteira em obra parada. Olhou o pintor ainda semi-duro, a bermuda aberta, e olhou pra mim com a calça no meio da coxa, cu molhado, porra escorrendo.
— Porta aberta. Eu vi o magrelo ajoelhado. Vi o casado enfiando.
O pintor não se assustou. Só puxou a bermuda um pouco pra cima, o pau ainda pesado pra fora.
— Relaxa, Adílson. É o menino do outro prédio.
O vigilante deu dois passos. Cheiro de cigarro e suor velho. A mão grande foi direto na minha nuca, virou meu rosto.
— Agora só sai daqui depois que der o cu pra mim também.
Não perguntou se eu queria. Empurrou o zíper do uniforme. O pau saiu grosso, mais claro que o do pintor, veias aparentes, a cabeça já molhada. Barriga loira por cima, pelos loiros no peito e na virilha. Casado. Aliança brilhando enquanto ele segurava o próprio pau e encostava na minha boca.
— Abre.
Abri. O gosto era outro: pele, fumo, homem de ronda. Ele enfiou fundo, segurou meu cabelo curto e fodeu a boca sem pressa, gemendo baixo. O pintor ficou atrás de mim, a bermuda ainda aberta, o pau grosso esfregando na minha bunda, os ovos pesados batendo.
— Deita ele — disse o loiro.
O pintor me virou de quatro no cimento. O vigilante ajoelhou na frente, enfiou de novo na boca. O pintor cuspiu no meu cu, já aberto, já usado, e entrou de uma vez. Os dois ao mesmo tempo. Um enchendo a boca, o outro o cu. Ritmo pesado, obra vazia, andaime rangendo.
O loiro puxou o pau da minha garganta, cuspiu na mão, passou no meu cu por cima do pau do pintor e falou:
— Sai um pouco.
O pintor saiu. O vigilante entrou.
Grosso, quente, diferente. A barriga loira colou nas minhas costas, o peito peludo, o cheiro de cigarro no meu pescoço. Segurou minha cintura com força de segurança e fodeu fundo, ritmado, os ovos batendo, a aliança fria na minha pele.
— Culhão da igreja. — Aguenta os dois.
O pintor veio pela frente. Enfiou o pau na minha boca de novo, pentelhudo, suado, o gosto misturado com o do outro. Eu no meio, de quatro no cimento, os dois casados usando. Um no cu, outro na boca. Depois trocaram. O loiro na boca, o pintor de novo no cu. Suor, porra, poeira, gemido baixo pra ninguém na rua ouvir.
O vigilante gozou primeiro, fundo, segurando minhas nádegas abertas, enchendo. Ficou parado, respirando pesado, ainda dentro. O pintor puxou meu cabelo, fodeu a boca até gozar de novo, leite quente escorrendo no queixo e no peito.
Ficaram os dois em pé, bermudas e uniforme aberto, paus molecendo, alianças nos dedos. Eu no chão, cu aberto, boca suja, short no joelho.
O loiro acendeu um cigarro, olhou a porta, olhou pra mim.
— Amanhã tem ronda de novo. Se o portão ficar aberto, eu subo.
O pintor riu baixo, ajeitou o volume na bermuda e me deu um tapa na bunda.
— Se precisar pintar mais alguma coisa, me chama.
Desci a escada de cimento com as pernas tremendo. Na rua, São Paulo comum. No outro dia, culto. Namorada. Trabalho. Varão da igreja.
Mas o cu ainda sentia os dois. E o WhatsApp do pintor já tinha mensagem nova:
Adílson perguntou se você volta sábado.




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