sábado, 15 de fevereiro de 2020

Dei farol na Castello, o caminhoneiro parou e a gente se chupou no acostamento

Dei farol na Castello, o caminhoneiro parou e a gente se chupou no acostamento

Relato adaptado. Qualquer semelhança é coincidência.

Meu nome, neste conto, é Lucas. Vinte e nove. Osasco. 1,68 m, 70 kg, cara de moleque, barba por fazer. Macho. Sempre tive tesão de estrada: farol, seta, homem que dirige a noite inteira. No último fim de semana resolvi parar de só imaginar.




Saí às vinte e uma. Castello Branco, rumo ao interior. Short de futebol, sem cueca, camiseta fina. O asfalto ainda quente. Rádio baixo. Depois do primeiro pedágio o corpo pediu mais. Parei no acostamento, tirei a camisa, joguei no banco e voltei para a pista de torso nu.

Vidro do motorista baixo. Uma mão no volante, a outra no short. Punheta lenta, só o suficiente para marcar o tecido quando um caminhão vinha atrás. Ultrapassava, encaixava na frente, diminuía um pouco. Se o cara desviava o olho ou fechava a cara, eu acelerava e ia embora. Sem drama.

Na terceira tentativa o farol alto veio limpo. Seta à direita. Coração na boca. Parei longe do fluxo, pisca-alerta. O baú parou uns vinte metros à frente. Motor ainda ligado, aquele barulho grosso de quem não desliga nunca.



Descemos juntos. Ele era parrudo, da minha idade, olho grande, camisa de trabalho aberta no peito, calça jeans marcada. Cheiro de diesel e suor velho. Trocamos duas frases — de onde, se estava sozinho, se tinha pressa. Não precisava de mais.

Ao lado da carreta, fora do facho dos faróis, ele segurou meu queixo e meteu a língua. Beijo de quem não pede licença. Barba raspada roçando a minha. Mão grande nas minhas costas, descendo. Eu já estava duro; ele também.

Abrimos o suficiente. Mão no pau um do outro, no escuro, com o vento da pista. Primeiro ele ajoelhou no brita, short meu no joelho, e chupou com vontade — sem frescura, fundo, saliva escorrendo. Depois trocamos. Eu de joelho, ele encostado no estribo, uma mão no meu cabelo. Gosto de pele quente, de homem que geme baixo para não chamar polícia.




Ficamos nisso uns vinte minutos. Ora eu, ora ele. Beijo no meio, mão no saco, o farol de um carro passando e a gente parando um segundo, rindo nervoso. Os dois ativos. Ninguém pediu para virar. Ninguém forçou. Quando ele gozou, foi na minha boca, quente, rápido. Eu gozei na mão dele, contra a lata fria do caminhão.

Arrumamos a roupa sem pressa demais. Aperto de mão. Ele subiu. Eu voltei para o carro com o short torto e o gosto ainda na língua. O ônibus dos outros, o mundo, a casa — tudo longe.

Primeiro conto. Se a estrada mandar outro farol, eu paro de novo. E conto.

Relato adaptado. Semelhança com alguém real é coincidência.

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